Penso, logo…deprimo

Como qualquer cidadão/cidadã minimamente responsável e preocupado/preocupada com a vida, com uma filha para criar, estou a entrar em pânico com as notícias que vão sendo veiculadas acerca de novos cortes nos salários. Vivendo apenas do fruto do meu trabalho, aflige-me pensar que vou ter de abdicar ainda mais de tudo aquilo que eram os meus pequenos luxos: um lanchinho, uma rara ida ao cinema, são já miragens de um passado que vejo impossível de recriar.
A ginástica que diariamente realizo para gerir o meu orçamento, com preenchimento das diferentes rubricas da minha folha Excel (prática não exclusiva de Ministro das Finanças!), deixa-me alquebrada. E sobrevém a preocupação de não conseguir satisfazer os compromissos assumidos. E permanece a incógnita: até quando irei conseguir manter a independência e a minha casa arrendada? Por quanto tempo continuarei a adiar o lançamento da toalha ao chão e declarar-me vencida?
Reconheço que há milhares de pessoas na minha situação e que, muitas mais estarão bem pior do que eu. Só que tal ideia não me reconforta, bem pelo contrário. Parece que nos afogamos lentamente num lodaçal, empurrados por mãos impiedosas, que nos culpam de toda a desgraça que atingiu o nosso país, de modo fulminante. Neste momento, tem-me reconfortado o refúgio no trabalho mas, quando chega o fim de semana, os maus pensamentos, a “má onda”, invadem-me. E apenas me apetece dar vazão às lágrimas porque penso, logo…deprimo!

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