Vamos falar de Amor

«Porque dispomos de todos os bens que recebemos, podemos responder ao apelo de retribuir. Mas porque se trata apenas de um convite e não de uma injunção, podemos também não retribuir e guardar para nós o que temos e o que somos. Deparamos, assim, com a linha do horizonte (onde a terra acaba e o céu começa) que caracteriza a realidade do ser humano como ser livre, porque consciente e depois responsável, que marca o seu estatuto e define a sua dignidade e grandeza.»

José Ribeiro Dias, “A Realização do Ser Humano” (2001, p.141)

Diariamente, interagimos uns com os outros. Não vivemos isolados, tendemos a comunicar. E a criar empatias. Somos cercados por convites para socializar: um sorriso mais aberto, um olhar vivo e apelativo. Por vezes, retribuímos. Devolvemos o sorriso e o olhar e inicia-se a comunicação entre dois seres. Iniciamos a comunicação. Porque queremos. Não somos obrigados. E ao corresponder ao convite estamos a acolher o outro, a aceitá-lo. Enquanto seres livres de aceitar o convite para dar e dar-se, isto é livre para amar.

E amar é um verbo exigente. O Amor quer reciprocidade, constância afetiva e que se estabeleçam relações. Mas, nos dias de hoje, a relação a dois já não é apenas uma relação de complementaridade. Se bem que, ainda hoje o que se apelida de amor, como refere CASTOLDI (2003, p.163), seja “uma troca complementar que permite satisfazer através da contribuição de outra pessoa, as necessidades materiais e afetivas intrínsecas”, esta noção peca por fazer de cada um de nós, enquanto indivíduos, seres incompletos. É nesse sentido que prefiro a visão do modelo paritário da autora, no qual nós já somos seres completos, mas o amor de um pelo outro, que nos leva à descoberta do nosso potencial para melhorarmos enquanto indivíduos, desenvolver a nossa liberdade de expressão e a responsabilidade pessoal. Em suma, sentimo-nos mais autónomos.

É este tipo de amor que quero. De igualdade. De valorização paritária dos dois intervenientes na relação. E, como é óbvio, um amor maduro, de respeito mútuo pela inteligência e pelo potencial que carregamos. Amar é uma construção, que se desenvolve gradualmente, com o empenho de ambos.

Para nós, mulheres, acho que está na hora de merecermos a atenção e a devoção que o poeta glorifica. Aos homens, somos complexas, tudo o que quiserem, mas que, quando nos dedicamos, a entrega é total. É UMA CERTEZA!

Deixo-vos com um poema de Pablo Neruda. Beijos.

MULHER, teria sido teu filho por beber
o leite dos teus seios como um manancial,
por te olhar e te sentir ao meu lado e ter
tido em teu riso de ouro uma voz essencial.

Por te sentir em minhas veias um Deus no rio
e te adorar nos tristes ossos de pó e cal,
porque teu ser passou sem pena e sem ter vício
saindo na estrofe pura – limpo desse mal -.

Como eu saberia te amar, mulher, saberia
amar, e amar, ninguém amou assim jamais!
Morrer e no entanto
amar-te mais.

E no entanto
amar-te mais
e mais.

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