“I’m not weird. I am limited edition.” (??!!)

Será? Algo a meditar.

Tenho esta citação já há um par de anos, emoldurada. Relembra-me que estamos continuamente sujeitos ao escrutínio e ao juízo crítico. E que o ego de uns procura sempre enaltecer-se pelo espezinhamento dos outros. Algo que evito, por saber o quanto magoa. Mas nem sempre é possível. Face a tal situação, para não alimentar a raiva mal contida de quem perdeu o tino, deixo assestar baterias e sirvo de alvo de críticas, por ser diferente. A criatura liberta a bílis que a incomoda. A mim, não provoca mossa, que é como quem diz, “os cães ladram e a caravana passa”. Tudo passa. Viro costas, fecho a porta e afasto-me. Simples. Taxonomias à parte, o resultado final é sempre o mesmo: eu já não estou.

Conclusão: sou de edição limitada, na medida em que permaneço indiferente aos juízos críticos de outrem. A consciência do meu valor não é mensurável pela opinião dos outros. Todos podemos ser de edição limitada. Está nas nossas mãos.

TÓXICO

“Precisas substituir as pessoas tóxicas que tens na tua vida por pessoas sonhadoras e que concretizadoras te inspirem. Limpa as tuas relações!” (Mário Caetano)

Desengane-se quem esperava que fosse escrever sobre poluição. O título refere-se à citação. Se refletirmos bem, quantas vezes deixamos de fazer algo, não por falta de coragem, mas porque surge sempre alguém que nos minimiza, humilha, e que com os seus juízos críticos nos consegue fazer sentir incapazes?! Soa-vos familiar? Eu enfio a carapuça totalmente.
São esse tipo de pessoas, sempre prontas a criticar, sem apresentar alternativas, que Mário Caetano define como pessoas tóxicas.
Mas não pensem que libertarmo-nos de tais espécimes é fácil! Se fosse, estávamos todos felizes e florescíamos em termos de desenvolvimento pessoal, a nossa mente sã não nos pregava partidas e, apesar da lufa-lufa da vida diária, a palavra stress não faria parte do vocabulário corrente.
As pessoas tóxicas, regra geral, são-nos próximas, familiares, ou colegas de trabalho, aos quais, pelo lugar que ocupam na hierarquia da empresa, não podemos simplesmente mostrar o dedo feio ou mandá-los àquele lugar malcheiroso, na esperança de que por lá fiquem.
Como disse, não é fácil. Mas todos possuímos uma faculdade de filtrar aquilo que não queremos ver ou ouvir. E por que não tentar fazê-lo com as pessoas tóxicas? Inicialmente, custa. Exatamente como se fôssemos dependentes de nicotina. Mas, gradualmente, deixamos de dar atenção aos sons provenientes daquelas figuras que anteriormente nos faziam tanto mal.

Fingers crossed and wait for luck!

Hi, friends!

I haven’t written for quite long. That wasn’t a nice thing to do, I know. I thought to get back on the 14th. But my article wasn’t appropriate. After all, it was Valentine’s Day! My last post, “A Way of Wanting”, reached the highest level of interaction ever since I started blogging. Hence, I will try to give some feedback to the published comments.

I usually write my articles based on the consented testimonies of some of my clients, as a starting point for reflection. But this post was strictly personal. The post was about a male friend trying to be happy, ready to commit in a serious relationship, based on friendship and trust. He believed that with complicity and all other factors (I never found which), love will flow. For that, he wanted to find the woman of his dreams, with whom he could live the desired relationship of complicity, friendship, and trust, in short, “SOMEONE WHO DOES NOT NEED ME FOR ANYTHING, BUT WHO WANTS ME FOR EVERYTHING.”

To those that considered the post as “a fantastic, realistic an in-depth analysis of a love relationship”, I am grateful for the compliment. It was the analysis of a love relationship. The love for someone able to make me feel special when he was around. But this man was inconsistent, he left me for long times without news.

And do not think he was pleased with the phone calls or SMS. I was labeled as “annoying, hypersensitive” or “as charging too much”. The fault is always ours because we are very demanding. So, when we separate because of his quest for the woman of his dreams, I accepted. His vision of what being romantic means, the pursuit of the ideal woman, was just an escape from the possibility of a commitment. That scares him above all things. Therefore, I agree with a reader’s comment when she says that “looking for the ideal woman is a mistake because there are only real women.” Another reader adds that “there are no perfect people. Life, by itself, is already a risk.”

How do I come to the conclusion that this sweet man, no doubt, is afraid to find someone again? Based on his own assertions, that sweeping love probably doesn’t exist. A man that admits looking for what does not exists, that has prevented him from being happy and blocked his ability to love in full, for a long time. And concludes his reflexion, adding that if he had a fair evaluation of me, certainly I would be the ideal woman for a lonesome man just like him, … uncomplicated, sweet, present, even when I’m distant. Someone who, instead of being angry, keeps her friendship and affection.

Why should I be mad at him? I was not fooled. I read the warning signs. There was no chance for a stable and long-term relationship there. To put some distance between us seemed the reasonable option because “first, we have to be HAPPY ourselves.”

To the reader who wished that the story had a “happy ending”, because “life puts things in the right place”, I must warn her that there won’t be a happy ending in terms of relationship. For my part, I am fully convinced that he is not a partner for a long-term relationship. As for him, he hides his fear of commitment with the incessant search for the ideal woman. What a Quest for the Holy Grail! But he’s not the only one; some people search my help believing the same. The difference is that they want to change and to believe “that is nobler to be deceived sometimes than to distrust always.” In the present case, my friend doesn’t even try. I could almost sing the chorus of a song by Ariana Grande, “Thank U, Next”.

I end with a lesson of wisdom from one more reader, who wrote in her commentary: “To be happy is to want to invest and share. Whoever does not give does not receive. Everything is an exchange. If he doesn’t want to suffer for it, if he doesn’t want to give in order not to suffer pain, he must remember that the other side will do the same. One cannot receive what didn’t give. He doesn’t make promises, but he demands what he doesn’t promise. […] He wants and he doesn’ want; when he has what he wants, he moves away not to suffer. But to love and to share is to suffer!”

Kisses from

Escribonia Augusta

Uma forma de querer

Tenho um amigo, boa pessoa, mas com pouca paciência e bom conhecedor do vernáculo português, que tem uma faceta surpreendentemente meiga e sonhadora.
Vive sozinho por opção, porque deseja encontrar a companheira que sinta ser A TAL, aquela que o compreende sem ser necessário verbalizar o que lhe vai na alma. Como uma vez me disse, procura o mesmo que toda a gente: ser feliz. Para tal, quer encontrar a mulher dos seus sonhos, com a qual consiga estabelecer uma relação de cumplicidade, de amizade e de confiança, “alguém que não precise de mim para nada, mas que me queira […] para tudo.” Foi com esta breve citação que me explicou o que pretendia.
Andará à procura de um ideal impossível? Talvez. Mas por que se deverá conformar com uma relação mais ou menos satisfatória, na qual não se irá conseguir comprometer totalmente?!
Sabemos que quando não existe o compromisso consciente de ambas as partes para que um relacionamento resulte, o fracasso acontece, com dolo para os dois intervenientes. Daí que quando este meu amigo ambiciona tão alto, pode estar a deixar passar ao lado muitas possibilidades fantásticas; mas esse é um risco que apenas ele assume. Ninguém mais sai magoado.
Seria pior se optasse por prometer o céu a todas as mulheres com quem se cruzasse para, pouco tempo depois, as deixar, sob o pretexto de não se sentir verdadeiramente apaixonado.
No final, verificamos que este homem, com o seu mau feitio quando está com a “telha”, é muito mais cavalheiro do que certos sujeitos que orbitam em torno do género feminino, que não pronunciam um palavrão, mas cujas atitudes pouco nobres, de verdadeiros sabujos, magoam pela frieza e calculismo de que se revestem.

Vamos falar de Amor

«Porque dispomos de todos os bens que recebemos, podemos responder ao apelo de retribuir. Mas porque se trata apenas de um convite e não de uma injunção, podemos também não retribuir e guardar para nós o que temos e o que somos. Deparamos, assim, com a linha do horizonte (onde a terra acaba e o céu começa) que caracteriza a realidade do ser humano como ser livre, porque consciente e depois responsável, que marca o seu estatuto e define a sua dignidade e grandeza.»

José Ribeiro Dias, “A Realização do Ser Humano” (2001, p.141)

Diariamente, interagimos uns com os outros. Não vivemos isolados, tendemos a comunicar. E a criar empatias. Somos cercados por convites para socializar: um sorriso mais aberto, um olhar vivo e apelativo. Por vezes, retribuímos. Devolvemos o sorriso e o olhar e inicia-se a comunicação entre dois seres. Iniciamos a comunicação. Porque queremos. Não somos obrigados. E ao corresponder ao convite estamos a acolher o outro, a aceitá-lo. Enquanto seres livres de aceitar o convite para dar e dar-se, isto é livre para amar.

E amar é um verbo exigente. O Amor quer reciprocidade, constância afetiva e que se estabeleçam relações. Mas, nos dias de hoje, a relação a dois já não é apenas uma relação de complementaridade. Se bem que, ainda hoje o que se apelida de amor, como refere CASTOLDI (2003, p.163), seja “uma troca complementar que permite satisfazer através da contribuição de outra pessoa, as necessidades materiais e afetivas intrínsecas”, esta noção peca por fazer de cada um de nós, enquanto indivíduos, seres incompletos. É nesse sentido que prefiro a visão do modelo paritário da autora, no qual nós já somos seres completos, mas o amor de um pelo outro, que nos leva à descoberta do nosso potencial para melhorarmos enquanto indivíduos, desenvolver a nossa liberdade de expressão e a responsabilidade pessoal. Em suma, sentimo-nos mais autónomos.

É este tipo de amor que quero. De igualdade. De valorização paritária dos dois intervenientes na relação. E, como é óbvio, um amor maduro, de respeito mútuo pela inteligência e pelo potencial que carregamos. Amar é uma construção, que se desenvolve gradualmente, com o empenho de ambos.

Para nós, mulheres, acho que está na hora de merecermos a atenção e a devoção que o poeta glorifica. Aos homens, somos complexas, tudo o que quiserem, mas que, quando nos dedicamos, a entrega é total. É UMA CERTEZA!

Deixo-vos com um poema de Pablo Neruda. Beijos.

MULHER, teria sido teu filho por beber
o leite dos teus seios como um manancial,
por te olhar e te sentir ao meu lado e ter
tido em teu riso de ouro uma voz essencial.

Por te sentir em minhas veias um Deus no rio
e te adorar nos tristes ossos de pó e cal,
porque teu ser passou sem pena e sem ter vício
saindo na estrofe pura – limpo desse mal -.

Como eu saberia te amar, mulher, saberia
amar, e amar, ninguém amou assim jamais!
Morrer e no entanto
amar-te mais.

E no entanto
amar-te mais
e mais.